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Opinião: telespectador tem hábitos, mas emissoras ignoram

Quem assiste TV, assim como em qualquer outro segmento, tem seus hábitos. Posso dizer que o telespectador tem hábitos bem definidos, dependendo do que está assistindo. Vou explicar melhor.

O perfil de quem assiste a Globo, por exemplo, nem sempre será o mesmo de quem assiste à Rede TV!. São públicos diferentes, com hábitos diferentes, principalmente quando se fala em busca pela qualidade de conteúdo e programação.

Outro exemplo: boa parte do público da Record TV não se interessa em assistir ao jornalismo do SBT, já que os dois diferem muito em conteúdo e qualidade. Nas vezes que o SBT copiou a Record TV nesse quesito, não foi bem.

Atenção em alguns horários

Certamente a maior preocupação das emissoras é o período noturno, porque além de ter as atrações mais caras, é o período do dia mais visado pelos anunciantes.

Globo, em larga vantagem, tem superioridade quando o assunto é olhar o hábito do telespectador. A grande maioria de suas atrações, isso em qualquer horário, são amplamente discutidas antes de colocá-las no ar. Estrear uma atração sem saber quem vai assisti-la é muito arriscado, ainda mais em tempos de crise econômica.

Mesmo a própria emissora dos Marinhos já cometeu erros grotescos como realities musicais concorrendo com Silvio Santos nos domingos à noite e programas de humor, sem humor, que afastaram o público. O ibope não correspondeu e a emissora teve que fazer milagre.

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Falando em milagres

Pelos lados da Record TV, principalmente depois do corte analógico na Grande São Paulo, parte do público que tinha o hábito de assistir à programação do canal de Edir Macedo migrou para outros canais pagos. Cerca de 30% da audiência da emissora foi embora de um dia para o outro.

Hoje a situação é melhor, mas os efeitos do novo hábito do telespectador ainda são sentidos. Programas como “Balanço Geral”, que por meses ficou na liderança durante a exibição do quadro “A Hora da Venenosa”, hoje, raramente alcança o primeiro lugar.

O problema é grave e recuperar o telespectador que já se habituou com outras atrações é muito difícil.

Não há hábito com constantes mudanças

O principal problema do SBT e Silvio Santos são as constantes mudanças na grade de programação. Isso vai completamente contra o hábito do telespectador, que se acostuma com horários e programação.

Nesta semana, o CTV Audiência publicou que o SBT já mudou sua grade 23 vezes, só em 2017.

Vira e mexe, Silvio troca a ordem de programas, muda horários, cancela atrações e isso só deixa o telespectador atordoado. Talvez o não fracasso do SBT se dá pelo fato de a emissora ter um público fiel ao canal, que assiste, sem questionar ao que está sendo exibido, seja programa de fofocas, tele-barraco ou novela mexicana. Mas isso é um risco. Uma hora o público cansa.

É só fazer um comparativo da audiência do canal em anos passados com a de hoje para ver que teve público que abandonou o barco e partiu para outras sintonias.

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Estratégia é tudo

Como disse em outro post (pode ser lido aqui), respeitar o hábito do telespectador é uma estratégia inteligente dos canais.

Veja o exemplo da TV Gazeta, que mantém uma programação voltada ao público feminino (exceções ao Gazeta Esportiva e Mesa Redonda) e tem bom retorno em audiência e financeiro.

O patrocinador que quer falar diretamente às mulheres tem uma infinidade de opções para colocar seu produto na programação da emissora.

Não tem como imaginar TV Gazeta sem Ronnie Von e Catia Fonseca, que estão intrinsecamente ligados ao público feminino. Isso é hábito.

A audiência média do Mulheres, programa há quase 40 anos no ar, gira em torno de 2 pontos. Uma audiência fiel, durante anos.

Pra terminar

Em recente entrevista ao programa de rádio da Jovem Pan, Pânico, Geraldo Luís, apresentador da Record TV falou sobre sua atração, o “Domingo Show”. Ao explicar o que leva o telespectador a assistir um programa aos domingos, na hora do almoço, ele falou sobre a simplicidade. Segundo ele, o público quer ver o simples, e quando acha, não o deixa.

Geraldo atribuiu seu sucesso à simplicidade. É razoável, pois só isso explica um programa ter uma entrega de 3 pontos e chegar a uma média de 8 pontos, mesmo sem a TV paga.

Esse é um bom exemplo que deve ser seguido por outros canais e atrações. Enxergar o telespectador é fácil, difícil é entendê-lo. Isso requer atenção.

Não importa se está em uma emissora grande ou uma nanica, o hábito do telespectador deve ser sempre analisado. Inclusive quando ele muda de hábito.

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade de seu autor, as quais não necessariamente refletem as da CTV Audiência.

Guinho César é jornalista. Fala sobre televisão há muitos anos em seus blogs pessoais. Possui um canal no YouTube.

Já entrevistou grandes nomes do jornalismo e comunicação do rádio e da TV como Milton Neves, Rafael Machado, Heródoto Barbeiro, Gilberto Barros, Clébio Cavagnolle, Haisem Abaki, Roberto Nonato, José Armando Vannucci e muitos outros. Hoje, edita as colunas “Papo Rápido”, “CTV Entrevista” e de opinião no CTV Audiência.

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